1 de julho de 2019

Jornalistas de Alagoas fazem greve contra proposta de redução de 40% do piso salarial

Mobilização histórica é acompanhada com preocupação por trabalhadores de todo país

Com uma adesão de mais de 90% dos profissionais que atuam nos três principais veículos de comunicação de Alagoas, jornalistas de todo o estado participam desde o dia 25 de junho de uma greve histórica, que tem como pauta principal assegurar a manutenção do piso salarial da categoria, ameaçado  por uma proposta de corte de 40% defendida pelos donos das empresas. A medida chama a atenção de trabalhadores de todo o país porque pode abrir precedente para atingir outras categorias e profissionais de outros estados.
A greve, decretada por tempo indeterminado, provocou o fechamento parcial de redações, comprometendo a produção jornalística de veículos televisivos, impressos e digitais. A mobilização também conta com profissionais de assessorias de comunicação e estudantes.
A luta dos jornalistas contra a precarização da profissão ganhou força nas últimas semanas, após as empresas de comunicação se recusarem a negociar com o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal). As empresas são:
Organização Arnon de Mello (OAM), que pertence ao senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello: TV Gazeta (Afiliada Globo),  G1 Alagoas, Globoesporte, Gazetaweb e Jornal Gazeta de Alagoas;
Pajuçara Sistema de Comunicação (PSCOM), que pertence ao empresário Emerson Tenório: TV Pajuçara (Afiliada Record) e Portal TNH1;
Sistema Opinião, que pertence ao empresário Cândido Pinheiro: TV Ponta Verde (Afiliada do SBT) e portal OP9.
Irregularidades e trapalhadas
Com a greve decretada e os principais jornalistas fora das redações, as empresas de comunicação estão cometendo irregularidades jurídicas para manter, mesmo que de forma precarizada, a exibição de programas jornalísticos, desrespeitando o público e anunciantes com conteúdos de baixa qualidade.
OAM – A TV Gazeta recorreu à contratação ilegal de profissionais e estagiários para colocar os programas jornalísticos no ar. O resultado é um show de trapalhada e amadorismo, que vai da bancada das apresentações dos telejornais à produção e edição das matérias, o que tem provocado diversas críticas do público nas redes sociais. Até o momento, a Rede Globo não se posicionou sobre o assunto.
Com os jornalistas fora das redações o portal G1 Alagoas não é atualizado desde a quarta-feira (26) e a TV Gazeta vem exibindo reportagens antigas (algumas com mais de 2 anos) e de outros estados para os telespectadores, a exemplo de uma que mostra o crescimento do número de multas de trânsito na região Centro-Oeste.
PSCOM – A TV Pajuçara deixou de veicular seus jornais noturnos, acumulando prejuízos com os telespectadores e anunciantes. A empresa também ensaiou algumas contratações para ‘substituir’ os funcionários grevistas.
SISTEMA OPINIÃO – A TV Ponta Verde levou para Alagoas jornalistas do estado de Pernambuco e Paraíba para ‘substituir’ os funcionários grevistas. A TV vem exibindo também de forma precária seus programas jornalísticos, recorrendo a vídeos do Whatsapp e de câmeras de segurança, prejudicando audiência e anunciantes.
CRONOLOGIA DA GREVE EM ALAGOAS
As negociações foram iniciadas em abril (data-base do acordo coletivo). As empresas recusaram 8 propostas feitas pela categoria e se mostraram irredutíveis sobre sua posição do corte de 40% do piso:
19/06 –  Empresas pedem o encerramento das negociações;
24/06 – Jornalistas, em assembleia realizada pelo Sindjornal, decretam greve por tempo indeterminado;
25/06 – Greve é deflagrada com cerca de 90% de adesão dos profissionais que atuam em redação. Assessores de comunicação em apoio ao movimento silenciam e deixam de encaminhar releases e propostas de matérias. Estudantes de comunicação social em defesa do Jornalismo fazem adesão ao movimento;
27/06 – Mais uma tentativa de negociação é realizada, mas empresas de comunicação não recuam e mantêm proposta de redução do piso salarial dos jornalistas. Proposta é rejeitada pela categoria e a greve é mantida.
#ReduçãoSalarialNão #AGreveÉNossa #QuemPagaFazAoVivo
Por Sindicato dos Jornalistas de Alagoas

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