28 de fevereiro de 2018

Como agir com um portador de doença grave e sem cura?

Não existe fórmula certa de normas de comportamento para se relacionar com um ente querido que está doente. Quando a família (ou um amigo) recebe a notícia a-garota-das-sapatilhas-brancas-bannerque alguém próximo está com uma doença grave, como câncer, AIDS, Lúpus, Alzheimer ou Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), passa a agir muitas vezes de forma constrangedora, desencorajadora, e até mesmo preconceituosa, sequer tendo consciência disso. Um exemplo disso bem representado na literatura está na obra de Ana Beatriz Brandão, “A Garota das Sapatilhas Brancas”, romance em que o protagonista é portador de ELA e a própria família o trata como se sua vida já tivesse acabado.
Porém, mesmo que não exista um manual de instruções absoluto para essas situações delicadas, existem orientações para não ser um completo “ignorante” caso uma pessoa querida seja diagnosticada com alguma doença grave e sem cura. Afinal, ninguém está pronto para isso, nem a vítima e nem as pessoas ao seu redor. Há 5 dicas a seguir que podem ajudar mais do que o esperado:

1) Ser positivo
A tristeza pode até bater, mas quando uma pessoa querida diz que acaba de ser diagnosticada com um câncer, por exemplo, o correto é agir “normalmente”, e não como se ela fosse morrer amanhã. Frases tristes ou raivosas como “por que isso foi acontecer justo com você?” ou “como ficarão seus filhos agora?” não ajudam em nada e só alimentam sentimentos desnecessários para a pessoa. O ideal é pensar na cura, estimular o paciente a ter fé e até mesmo a aprender com cada situação vivida.

2) Identificar a hora de conversar
Muitas pessoas usam a lógica do “vou perguntar como ela(e) está para mostrar que me importo”, mas não é sempre que o paciente quer falar sobre a doença que está combatendo. Em um evento festivo, passeio ou qualquer atividade cujo objetivo é o lazer, será que vale a pena interromper a diversão para lembrar o portador de uma doença devido a qual ele é estigmatizado? Ou seja, há hora para tudo, e até a boa intenção pode ser prejudicial se não for acompanhada de bom senso.

3) Abolir a pena e o pesar
Demonstrar pena de alguém que já se sente fragilizado ou apreensivo com o próprio futuro e com a saúde é tão ruim quanto a doença em si. Ter dó enfraquece a pessoa e faz com que ela se sinta impotente, quando deveria se sentir forte e capaz. Muitas vezes o próprio paciente é mais inabalável do que a família e se irrita com certos comportamentos, como no trecho do livro “A Garota das Sapatilhas Brancas”, em que Daniel, portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, é bombardeado de perguntas superprotetoras de suas tias e responde: “Não, eu não estou bem. Preciso muito de ajuda. Que tal vocês me levarem a um psicólogo ou ao hospital para um passeio? Quem sabe eles não encontraram a cura pra ela milagrosamente, e eu posso ser a primeira cobaia humana? Sabe, eu adoraria que fizessem isso, e só estava respondendo todas aquelas coisas sobre estar bem antes porque eu sou extremamente orgulhoso e quero morrer sem ter que admitir que estou muito mal. Era isso que vocês queriam ouvir desde o início, não era?”.

4) Saber apenas ouvir
Uma pessoa que está severamente doente sabe que o outro não sente na pele de fato o que está acontecendo com ela. Assim como as pessoas “desabafam” às vezes sem a intenção de ouvir conselhos ou uma chuva de mensagens motivacionais genéricas, os pacientes só precisam de alguém para ouvi-los. Esse papel é mais importante do que qualquer um pode imaginar.

5) Ser companheiro(a)
Acompanhar o ente querido em tratamentos é uma forma de ajudá-lo a se manter firme neles, que muitas vezes são bem dolorosos. Ser uma boa companhia inibe a vontade dele de desistir, além de se tornar uma diversão. Em caso de tempo curto, dar carona também ajuda! O importante é ser uma pessoa presente, e isso já é muita coisa.

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